Honda CBR 500R/CB 500F

Honda CBR 500R/CB 500F

As 500 do futuro

Passados três anos, a mais recente geração de utilitárias de 500 cc da Honda foi revista, através de três motos modernizadas em vários aspetos e que estão mais atraentes que nunca para os recém-encartados com carta A2. Nesta apresentação europeia tivemos o primeiro contacto com as CBR 500R e CB 500F, ficando para mais tarde o teste à também muito interessante CB 500X.

POR Fernando Neto • Fotos Honda

A Honda CB 500 ficará para sempre na história da marca da Asa Dourada por vários motivos, e assim de repente lembramo-nos de vários: pelos números de venda que obteve um pouco por todo o mundo a partir do seu lançamento em 1993, pela economia e fiabilidade que sempre demonstrou e, não menos importante, pela escola que foi para muitos motociclistas antes destes enveredarem por motos de alta cilindrada. Com o passar dos anos a CB 500 manteve os dois cilindros em linha, mas foi sofrendo melhorias gerais, através de ciclísticas mais eficazes, motores ainda mais económicos e amigos do ambiente e linhas mais joviais e desportivas. Quanto às prestações puras, é se calhar o item onde menos se notam as evoluções, não só porque hoje em dia a Honda tem produtos de toda a cilindrada, potência e preço (ou seja, para todo o tipo de cliente), mas essencialmente porque era primordial que estas 500 não ultrapassem a cifra dos 35 kw (48 cv), o limite para que um veículo possa ser conduzido com carta A2. E por toda a Europa isso traduz-se e muito nas vendas.

Nestes três anos, as 500F e R já venderam mais de 90.000 unidades, das quais 30.000 na Europa, e para 2016, mesmo que possa não parecer, cerca de 200 partes foram revistas nestes dois modelos.

As mexidas

Estes modelos pretendem então fazer a ponte entre as 125 ou 250 cc, scooters ou não, e as motos de maior cilindrada, mas para os menos experientes o mais importante é que ao vivo estas são motos pequenas, muito fáceis de mover nas manobras e bastantes leves. Além disso, contam com diversas alterações estéticas que as modernizaram imenso, com a CBR 500R a fazer mesmo lembrar uma RC211V. Os faróis são bem agressivos, a traseira é nova (talvez um pouco larga demais) e o desenho das carenagens e as cores estão em grande plano, tendo havido ligeiras mexidas no desenho dos assentos e depósito para uma melhor ergonomia. Esteticamente existe quem prefira o ‘look retro’ das primeiras CB 500, de farol redondo e estilo clássico, mas estes novos modelos destinam-se essencialmente às camadas jovens, e daí esta escolha. E nós aprovamos!

As 500F e R contam com um novo sub-quadro mais flexível, e um sistema de escape mais curto, com um som mais apelativo e que ajuda à maneabilidade, apresentando ainda melhorias no motor e diferentes entradas de ar para uma maior eficiência e melhor resposta ao acelerador. O depósito de combustível conta mais um litro de capacidade e o respetivo tampão fica agora fixo nos re-abastecimentos, facilitando a operação. Na ciclística, a forquilha convencional passou a contar com afinação na pré-carga da mola, em cinco posições, mantendo o mesmo tipo de afinação na traseira, mas em ambos os eixos foram feitos ajustes para um melhor ‘feedback’ com a estrada. Nos dois modelos o peso foi reduzido em 2 kg.

 A manete de travão possui agora afinação na distância ao punho e a pinça dianteira possui um desenho mais desportivo, com o ABS a equipar de origem os dois modelos. Os faróis dianteiros e traseiros são LED, com um desenho especialmente agressivo na R, o que foi criado em conjunto com a nova carenagem e ecrã, cuidadosamente desenhados para uma boa proteção e ausência de turbulência aerodinâmica.

Resta acrescentar que a lista de acessórios é extensa – ainda mais na versão X – e que existem nada mais nada menos que seis decorações diferentes para cada um dos modelos, entre as quais destacamos a tricolor da “moda” que parece assentar que nem uma luva em qualquer Honda.

honda_cbr500r_ym16_1340

Fácil, muito fácil

Fomos até Carmona, perto de Sevilha, para conhecermos as novas propostas da Honda, e à nossa espera tínhamos cerca de 185 km pela “ ruta de las 600 curvas”, um nome bem sugestivo. A manhã foi passada aos comandos da CBR 500R, uma moto de visual desportivo mas que se conduz com a facilidade de uma utilitária, logo a começar pela posição de condução muito fácil e natural, que não carrega nada os pulsos. O assento está numa posição acessível, o peso não se nota (parecendo bem menor que os 194 kg a cheio) e o motor é suave desde os baixos regimes, pelo que em trânsito urbano a R conduz-se com facilidade. Gostámos da robustez do conjunto, que mostra uma elevada qualidade de construção, e em estrada aberta a ciclística revelou boas aptidões, mais que suficientes para lidarem com os 48 cv de potência do motor. As suspensões mostram um bom equilíbrio entre conforto e dinâmica e os travões são mordazes q.b., à sua maneira Honda. Para tudo ser perfeito só gostávamos de ter um pouco mais de vivacidade no motor suave e linear – especialmente nos regimes mais elevados – mas temos sempre que nos pôr na pele de um recém-encartado. Para este, possivelmente a iniciar-se no mercado de trabalho, a economia será tão ou mais importante que as prestações, pelo que ficará satisfeito em perceber que é possível realizar sem dramas médias de 4 l/100 km, o que nos parece excelente.

Durante a tarde, aos comandos da CB 500F o tempo pregou-nos uma partida, e choveu durante todo o trajeto até ao hotel, pelo que nem a sessão de fotos realizámos (usámos fotos do “kit de imprensa”), mas deu para perceber que as boas sensações da R encontram-se também na naked, que possui uma posição de condução ligeiramente mais vertical, um guiador plano em vez de avanços e ausência total de proteção aerodinâmica, sendo em tudo o resto semelhante à versão de carenagens. Na F, e devido à chuva, descemos duas décimas na média (3,9 l/100 km), e tanto em seco como em molhado gostámos mais uma vez do comportamento dos bem conhecidos Dunlop Roadsmart II, que dão confiança a duas motos que por si só já nos põem à vontade desde o início. Dois modelos muito racionais mas divertidos até, desde que não se dê demasiada importância às prestações, e que prometem ser um (bom) ponto intermédio entre as pequenas utilitárias ou scooters e as cilindradas mais altas.

honda-cb500f-ym16-055

Artigos relacionados

Yamaha Nmax

A Yamaha voltou a utilizar o sufixo ‘Max’ para apelidar um produto destinado a triunfar no mercado. A nova NMax é uma scooter ligeira, essencialmente urbana, e dotada da última tecnologia, pelo que oferece baixos consumos, polivalência e estilo desportivo a um preço ajustado.






Kawasaki J125

A Kawasaki já havia entrado no segmento das scooters com a J300, mas agora a marca japonesa reforça a aposta e joga no ainda mais forte mercado das 125 cc. A ‘maxi-scooter’ J125 possui muita qualidade e uma dinâmica desportiva ao estilo do que a Kawasaki já nos habituou.






Ducati Multistrada 1200 Pikes Peak

Mais do que qualquer outra marca, a Ducati sabe aproveitar muito bem os seus recursos, especialmente quando se trata de modelos bem sucedidos comercialmente. Em 2015 havia sido lançada a mais recente evolução da Multistrada, e agora, passado quase um ano, surge esta lindíssima Pikes Peak que como principal argumento possui suspensões Ohlins de topo reguláveis manualmente em vez das reputadas unidades eletrónicas da versão S. Afinal, será este um retrocesso ou apenas um passo para a melhor Multistrada de sempre?