Kawasaki J125

Kawasaki J125

Nova aposta

A Kawasaki já havia entrado no segmento das scooters com a J300, mas agora a marca japonesa reforça a aposta e joga no ainda mais forte mercado das 125 cc. A ‘maxi-scooter’ J125 possui muita qualidade e uma dinâmica desportiva ao estilo do que a Kawasaki já nos habituou.

Por Fernando Neto Fotos Kawasaki

E mesmo sendo uma scooter de baixa cilindrada, não existia certamente melhor altura para o seu lançamento que após a conquista do título de Mundial de SBK de Jonathan Rea. Também existe para este ano uma novíssima Kawasaki ZX-10R, por isso, percebe-se que a marca japonesa continua conotada como uma marca de elevadas prestações e que aposta em modelos desportivos. A diferença é que, hoje em dia, a Kawasaki tem sabido manter o ADN ao mesmo tempo que vai lançando scooters e modelos utilitários. A J300 tem sido de um elevado sucesso um pouco por todo o mundo, a naked Z300 a mesma coisa, e se em Portugal são as mais potentes ER-6n e Z800 que saltam à vista, a J125 promete fazer ‘estragos’, mantendo a parceria com o construtor asiático Kymco.

Para os recém encartados com a A2 a automática J300 pode ser a solução, enquanto que para os que têm somente carta de condução automóvel, a aposta pode ser esta 125 cc, que possui a mesma plataforma do modelo de maior cilindrada.

Equipamento

São quatro as opções de compra deste modelo, normal ou edição especial, com ou sem ABS. Exteriormente são poucas as diferenças para a 300 cc, sendo a destas páginas um pouco mais sóbria, mantendo a qualidade elevada a nível de construção e acabamentos. Os assentos são confortáveis, o ecrã possui as dimensões corretas e no fundo a posição de condução é excelente. Mas é uma pena que a instrumentação não seja mais completa, pois faz falta um computador de bordo com dados do consumo médio e instantâneo e temperatura exterior. Sob o assento cabe um capacete integral e mais alguns objectos, mas também aqui o espaço não consegue ser uma referência no segmento, e se formos ao pormenor, gostávamos que o ecrã fosse ajustável em altura, algo que uma certa rival já contempla.

Os faróis são modernos e ajudam à obtenção destas linhas bem desportivas, ambas as manetes possuem regulação e a plataforma para colocação dos pés possui reentrâncias para que melhor se chegue ao solo.

Excelente cicilística

Em relação ao motor, a J125 vem equipada com um monocilíndrico de quatro válvulas e refrigeração líquida, que debita 14 cv de potência. A injeção eletrónica, com corpo de acelerador de 27 mm e CPU de 16 bit, debita a quantidade de combustível ideal tendo em conta a temperatura do ar e a pressão deste na admissão, a temperatura do líquido de refrigeração, a posição do acelerador e o ângulo da cambota. Possui naturalmente uma embraiagem automática centrífuga e o depósito é de 13 litros, garantindo uma elevada autonomia ao conjunto de 182 kg de peso em ordem de marcha.

Quanto à ciclística, é a típica neste segmento, com quadro tubular, forquilha convencional à frente e duplo amortecedor traseiro, regulável na pré-carga da mola. Os pneus são Maxxis, de 14 polegadas à frente e 13’’ atrás, com a travagem a ser composta por um disco dianteiro de 260 mm e um traseiro de 240 mm, assistidos por pinças de dois êmbolos. O ABS, opcional, foi desenvolvido em conjunto com a Bosch.

Resta falar do comportamento dinâmico, que em certos aspetos até nos pareceu melhor que o da sua ‘irmã’ de 300 cc. Tudo está bem construído, os acabamentos são bons e a posição de condução é sempre boa em qualquer âmbito. O motor não sai com extrema vivacidade nos arranques mas também não desilude, apenas precisa de mais rotação que algumas scooters para arrancar. Depois, as recuperações são as normais para a classe, com a velocidade máxima a rondar os 110 km/h.

A ciclística funciona realmente bem nesta versão de 125 cc. É travagem é muito boa em tato e potência e a taragem das suspensões beneficiam claramente a dinâmica, sendo rijinhas mas compensando em zonas de curvas, sem qualquer tipo de torção como por vezes acontece nas automáticas. Em termos de economia, pela ausência de um computador de bordo ficámos sem saber quais os valores de consumo (em 100 quilómetros cumpridos nesta apresentação a barra digital não mexeu). Apesar do preço algo elevado, especialmente perante um nível de equipamento que não faz a diferença para o modelo de Taiwan que lhe deu origem, esta é uma proposta de qualidade entre as scooters de topo deste segmento, e que acima de tudo possui o ADN da marca, nas linhas e na dinâmica desportiva.

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