Yamaha XSR 900

Yamaha XSR 900

O objetivo da Yamaha era bem aliciante: pegar na sua irreverente MT-09 e criar mais um modelo cheio de estilo e com excelente dinâmica dentro do seu segmento Sport Heritage. O que dizer mais? Que o desafio foi perfeitamente alcançado!

POR Fernando neto • Fotos Yamaha

Vivemos num mundo cheio de regras, demasiado complexas por vezes, e no meio do politicamente correto as motos ainda nos vão dando muitas alegrias. Também estas estão sujeitas aos novos tempos – a norma Euro 4 é uma delas – mas para já sem grande prejuízo nas prestações e prazer de condução. A verdade é que cada fabricante ainda tem a hipótese de colocar “sal e pimenta” nos seus produtos, e a Yamaha nesse campo nunca tem falhado, dando bastante caráter nos seus modelos. O seu próprio segmento Sport Heritage tem crescido, e dentro deste, a sub-categoria Faster Sons vai revelando que a componente Performance tem uma elevada importância mesmo em modelos de espírito retro.

Base MT-09

Depois da bicilíndrica XSR 700 ter sido criada tendo como base a MT-07, este modelo tem então como originária a MT-09, uma naked tricilíndrica com cambota crossplane, e que desde o seu lançamento tem juntado muitos entusiastas devido às doses de adrenalina que consegue proporcionar. Pois a XSR 900 é basicamente uma MT-09, que mantém os 115 cv de potência, mas que foi alterada e melhorada em alguns aspetos que os engenheiros da Yamaha consideraram fundamentais, assumindo um estilo retro baseado nos modelos XS do passado, dos anos ’70. No modelo destas páginas as cifras principais não sofreram alterações, mas o D-mode, para alterar a resposta do acelerador às solicitações do motor registou melhorias, mantendo o STD (standard), o A mais agressivo e o B mais suave. Foi instalado um controlo de tração, de dois níveis e com possibilidade de desligar (ficará sempre ligado de cada vez que se colocar o motor em funcionamento), sistema que funciona de acordo com o controlo da ignição, posição do acelerador e volume da injeção de combustível. A embraiagem possui molas mais leves e o seu funcionamento é mais suave, sendo agora também deslizante, e quanto à estrutura principal do quadro, manteve a mesma configuração, com este conjunto a pesar mais 4 kg no total que a MT-09 (195 kg a cheio) devido à utilização de alguns metais em vez de plástico no referido modelo.

A travagem não sofreu alterações, com os discos dianteiros a montarem pinças radiais de quatro êmbolos e ABS de série, enquanto que as suspensões mantiveram os ajustes na pré-carga da mola e na extensão do hidráulico nos dois eixos, embora tenham sofrido uma revisão, com mais pré-carga e ajustes nos hidráulicos. A simplicidade é a nota dominante em vários espetos, como nos faróis vintage, na instrumentação (um misto de look retro mas com apresentação digital) que revela mais informações do que seria de imaginar, não faltando computador de bordo com informações sobre consumo, temperatura do ar, indicador de mudança engrenada, D-Mode, TCS, etc. O depósito de combustível de 14 litros possui tampas laterais em alumínio e condiz com diversos elementos de excelente bom gosto espalhado pelo modelo (foi dada muita atenção ao detalhe), sem precisarmos sequer de ir à enorme lista de mais de 40 acessórios originais, que permitem, por exemplo, transformar esta XSR numa bem apelativa Café Racer ou numa Retro bem apta a algumas viagens.

O assento é bem diferente do da MT, mais largo para os ocupantes e 15 mm mais alto (830 mm ao solo), e como o depósito de combustível é mais longo, notam-se bem as alterações na posição de condução, que no entanto manteve os pousa-pés na mesma posição e o mesmo formato de guiador.

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Melhor que a original

A apresentação internacional deste modelo decorreu em Fuerteventura, uma das Ilhas das Canárias e que é composta por excelentes estradas, tanto no seu desenho como na aderência do asfalto. Ao vivo a XSR900 consegue ser ainda mais bonita, especialmente na decoração amarela do 60º aniversário (350€ mais cara que as outras decorações), e desde o início que a adaptação é muito fácil. A condução não é tanto sobre a frente como na MT-09, pelo que – apesar da elevada altura do conjunto – conduz-se como uma verdadeira naked e não como uma supermoto. O assento é bom e só causou algum cansaço após os 250 km cumpridos, ao final do dia, mas a pergunta mais importante é: além de ser uma moto belíssima, as alterações notam-se? Nós conhecemos bem a anterior versão da MT-09 e podemos dizer ‘sem dúvida que sim’! O tato do acelerador é agradável – bem menos brusco que nas MT e Tracer – e continuamos a preferir o D-mode intermédio, a melhor mistura entre suavidade e rapidez. Quanto ao controlo de tração, mantivemos este quase sempre no mínimo (no 1), que mantém a sua intervenção mas não se nota numa utilização perfeitamente normal.

 As mexidas nas suspensões também tornaram o conjunto bem mais estável (menos radical mas melhor em todas as situações), pelo que a frente continua ágil mas deixou de ser algo nervosa e o amortecedor traseiro recupera mais lentamente, já não fazendo a moto levantar de forma rápida nem fazendo alargar a trajetória com isso. E isto sem termos que mexer nas suspensões, embora, verdade seja dita, só tenhamos encontrado estradas de bom piso. Não são suspensões de topo, mas agora já não temos motor a mais para ciclística a menos.

O motor continua a ser o que se conhecia, cheio em todos os regimes e com uma sonoridade notável, a travagem é boa e com um bom tato, e com isto reunido, o ritmo foi muito elevado, sempre com uma elevada sensação de segurança e com os Bridgestone S20 a revelarem uma excelente aderência mas a ficarem bem degradados no final do dia devido ao asfalto tipo “lixa” desta ilha. Apesar do ritmo “road racing” o consumo médio na instrumentação foi de 5,6 l/100 km, o que é notável, mostrando que o Euro 4 afinal também tem vantagens práticas. Gostávamos apenas que os comandos tivessem botões de maiores dimensões para serem mais fáceis de operar com luvas, e que desse para controlar as informações dos instrumentos a partir dos comandos. De resto, esta XSR pode ser menos irreverente que a MT-09, mas na verdade é bem mais apaixonante!

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